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Fronteira aberta para brasileiros


Embora os diplomatas digam que política externa não é jogo de soma zero, fica difícil ignorar o crescimento da importância da França na agenda do governo brasileiro enquanto se reduz a dos Estados Unidos. Depois das revelações de que o celular da presidente Dilma Rousseff foi espionado pelos norte-americanos, ela cancelou a ida a Washington no início do próximo ano. E hoje recebe no Planalto o presidente François Hollande, em uma viagem que se enquadra no nível mais alto de pompa diplomática. É uma retribuição à visita de Dilma a Paris há um ano, poucos meses depois de o socialista tomar posse do cargo.

Como se não bastasse, será assinado hoje, na presença dos dois chefes de Estado, um acordo para facilitar a entrada de brasileiros em território francês e vice-versa. Os norte-americanos planejavam entregar durante a visita de Dilma ao país a facilitação de entrada de passageiros que viajam aos Estados Unidos com muita frequência — as negociações agora estão praticamente suspensas.

O acordo com a França permitirá que jovens brasileiros possam, em breve, pedir um visto para passar um ano no país passeando, estudando ou mesmo trabalhando para custear uma parte das despesas. Essa autorização deverá estar disponível dentro de aproximadamente um ano, pelas estimativas do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. É necessária, antes, aprovação do Congresso Nacional, já que haverá reciprocidade para os franceses no Brasil, algo que precisa ser reconhecido na forma de lei. A iniciativa para negociar esse novo tipo de visto foi, aliás, dos franceses baseia-se em outro acordo, estabelecido neste ano pelo governo brasileiro com a Nova Zelândia.

Além desse dissabor simbólico para os norte-americanos, a conversa dos dois presidentes hoje de manhã no Planalto deverá incluir dois temas bem concretos com potencial de incomodar a maior economia do planeta. Um deles é a própria questão da espionagem. A França é um dos principais países apoiadores da proposta de um código de governança para a internet, apresentada em conjunto na Organização das Nações Unidos por Brasil e Alemanha — a chefe de governo do país, Angela Merkel, também foi grampeada por espiões dos Estados Unidos.

Outro tema inevitável é a venda de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Os mais fortes na disputa são o norte-americano F-18, da Boeing, e o francês Rafale, mais caro e com menos unidades vendidas, porém com um pacote mais ambicioso de transferência de tecnologia. A França e o Brasil já mantêm um programa militar de cooperação para produzir o primeiro submarino nuclear brasileiro, algo que, segundo um diplomata do Itamaraty, "tem apresentado resultados superiores a todas as expectativas".

A França tem interesse em aprofundar as relações com o Brasil para contornar a crise econômica que atinge o país e, em maior ou menor grau, toda a Europa. No ano passado, exportou para o Brasil US$ 5,9 bilhões e importou US$ 4,1 bilhões. Neste ano, a balança continua favorável aos franceses, que mantêm superavit de US$ 2,9 bilhões entre janeiro e outubro.

Serão assinados hoje12 tratados e acordos, segundo a previsão de ontem do Itamaraty, ainda sujeita a alteração. Um deles estabelece um programa para estágios de 500 estudantes em empresas na França e mais 500 vagas em empresas francesas no Brasil. Haverá também um acordo para a difusão da língua francesa no Brasil. Com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), será estabelecida cooperação para a produção de uma vacina destinada à prevenção de sete doenças. Na curta permanência em Brasília, o presidente François Hollande reservou tempo para uma conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à tarde, na Embaixada da França.

fonte Notimp







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